Família: Como vai a sua?

17/01/2013 as 10h13h Família: Como vai a sua?

A família deve ser entendida como grupo especifico em que o comportamento de cada membro afeta e é afetado pelo comportamento dos demais e a sua análise deve contemplar o contexto de interações e interdependência das partes que formam o todo, evidenciando o caráter sistêmico das relações familiares. Porém, observamos com tristeza que a família vem se transformando em uma reunião de pessoas que dividem o mesmo espaço, as despesas (no caso dos adultos responsáveis), serviços às vezes, problemas e alegrias, tocando apenas de leve nas emoções mais profundas que fazem parte da nossa essência.

Muitas casas têm-se transformado em verdadeiros albergues onde cada um entra e sai, dentro de uma rotina própria. Todos com seu próprio mundo (dentro do quarto a sua TV, celular, computador) vivenciam uma certa “privacidade” que, de certo modo, descaracteriza a ideia de vida familiar.
Os filhos curtem e compartilham inúmeros fatos no facebook; porém, não compartilham a vida uns com os outros dentro de casa. Passam horas conversando com um amigo virtual, mas são incapazes de sentar-se por alguns minutos com a família. Muitos chegam ao absurdo de comunicarem-se por mensagem ou usar o próprio celular para falarem com alguém que ocupa o mesmo espaço que eles.
Eis aí o grande paradoxo da vida pós-moderna; a excelência na tecnologia voltada para a comunicação, associada a um modelo de vida cada vez mais insulado. É tão evidente e alarmante esta constatação que, mesmo quando os membros das famílias fazem algum programa juntos, como por exemplo, jantar em um restaurante, observamos que pouco eles se olham, interagem, riem ou revelam espontaneidade e descontração. Os pais, muitas vezes, estão boa parte do tempo ao celular, tratando de trabalho e os filhos cada um com o seu aparelho eletrônico (Iphone, Ipode, tablet) trocando mensagens com os amigos. O que se percebe é que ali há uma reunião de pessoas ocupando o mesmo lugar, porém sem ter experiências em comum.
 
Tempo, tempo, tempo
Fala-se a respeito do tempo ou melhor da falta deste e o quanto esta ausência interfere no relacionamento familiar. Antes nos preocupávamos com a quantidade de tempo disponibilizado pelos pais aos filhos. Atualmente nos preocupamos também com a qualidade deste tempo, pois não basta passar alguns minutos ou algumas horas reunidos, é preciso estar inteiro, envolvido, desligado dos outros assuntos e focado no momento. Vivenciar o presente tem se tornado algo muito difícil para as pessoas. Estamos constantemente nos ocupando de várias atividades simultaneamente, o que gera a atenção dividida e pouco eficiente. Com isso temos a sensação de improdutividade, apesar do cansaço e desgaste físico e mental Diante desse cenário desolador, continuaremos a assistir essa cena como meros espectadores? Ou vamos reagir, inquietar-nos
diante do empobrecimento das relações familiares? Na época em que se fala de redes de comunicação, defrontamo-nos com a falta de habilidade para “bater um papo” com aqueles que mais amamos. Não dá para achar que isso é normal, que nos tempos atuais as relações são assim e por isso, gostaríamos muito de compartilhar algumas ideias que podem ou não funcionar. Vai depender da nossa postura diante da situação. Constatar sem o desejo de reparação não leva à mudança; não permitirá o resgate da família que todos nós queremos e que é necessário para termos crianças e adolescentes ajustados, maduros e capazes de enfrentar os desafios dos nossos tempos.
O leitor pode estar questionando: Quais seriam os possíveis caminhos para esse resgate? Haveria uma “fórmula” eficaz que garantisse bom resultado? Comece dizendo, “eu te amo”; comece reorganizando o seu tempo, aliás tempo é uma questão de prioridade. Comece de alguma forma e enfrente esse desafio. No que se refere a um bom relacionamento familiar não existe nada pronto. Juntos experimentem, oportunizem, errem e juntos refaçam as metas. Tentem sempre, pois a família é responsabilidade de todos. Perguntem-se, sempre: Como vai a minha família? Já será um bom começo!
 
"Não dá para achar que isso é normal, que nos tempos atuais as relações são assim..." 
 
 
* Por Joseneide Bezerra Estrela Cerqueira | Psicóloga escolar CRP 03/01905     
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