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SUPERAÇÃO

SUPERAÇÃO – DITINHO LEMOS

ENTREVISTA | DITINHO AVIVIP

  • De vendedor de frutas a empresário bem-sucedido e líder regional, Ditinho Lemos revela, em entrevista exclusiva à Revista AUGE, uma história marcada por fé, coragem e trabalho incansável.

DITINHO LEMOS — O menino que começou vendendo frutas na Avenida Juracy Magalhães, em Santo Antônio de Jesus, ao lado do pai, tornou-se hoje uma das maiores lideranças empresariais e sociais da região. Em uma conversa franca e emocionante com a Revista AUGE, ele revisita suas raízes simples, os desafios que moldaram seu caráter e as escolhas que definiram seu futuro.

TRAJETÓRIA

QUAL A MEMÓRIA MAIS FORTE DO SEU INÍCIO?
A do esforço físico. Venho de família simples e humilde. Comecei menino, vendendo frutas ao
lado da barraquinha do meu pai, vendi leite na bicicleta nas ruas de Santo Antônio de Jesus, fui
camelô e açougueiro. Encarei todo tipo de serviço com a cabeça erguida para ajudar em casa.
Aos 18, montei um boxe na feira. Trabalhava de Sol a Sol. Aquilo me ensinou que não existe
trabalho indigno.

COMO SURGIU A IDEIA DA AVIVIP?
Nasceu da necessidade. Eu já tinha abatedouro e revendia frango, mas precisava garantir
qualidade e tamanho para meus clientes. Decidi criar para ter meu próprio produto.
Começamos vendendo uns 12 mil frangos por semana. Foi um passo de coragem para ampliar
os negócios.

QUAL FOI A MAIOR DIFICULDADE NA FUNDAÇÃO?
Comprar o terreno e fazer o frigorífico rodar foi um desafio imenso. Não tínhamos o recurso
todo, fomos juntando aos poucos e pegando empréstimos. E ainda teve a resistência: os
moradores da região não queriam o empreendimento ali no começo. Tivemos que provar nosso valor trabalhando, ‘matando um leão por dia’.

HOUVE ALGUM MOMENTO DE QUASE QUEBRA?
Sim. Teve uma época em que a conta não fechava: o frango vivo custava R$ 3,80 e a gente
vendia a R$ 3,50 abatido por causa do mercado. Ficou inviável criar. Chegamos a vender
fazenda para injetar dinheiro no negócio e não parar. Foi um sofrimento grande.

O QUE FEZ VOCÊ NÃO DESISTIR NESSA HORA?
A certeza do propósito. Muitos amigos diziam “eu fecharia”, “você é louco”. Mas eu respondia
que entramos naquilo para dar certo. Eu e o Zé, meu sócio, chegamos a ter três mercados e
não tínhamos carro para andar, porque tudo era reinvestido. A gente acreditou quando
ninguém mais acreditava.

QUAL O PAPEL DA FAMÍLIA NESSA TRAJETÓRIA?
É a base de tudo. Ninguém constrói nada sozinho. Minha esposa, meus filhos e parceiros como
o Zé, Fernanda e Ângela foram fundamentais. Passamos os apertos juntos e crescemos juntos.
A união da família foi o que nos deu estrutura emocional para suportar os dias difíceis e
celebrar as vitórias.

COMO VOCÊ DEFINE SUA FUNÇÃO NA EMPRESA HOJE?
Eu não me acho dono. Eu ajudo a administrar. O dono é Deus. Tudo o que construímos foi
permissão Dele. Essa visão tira a minha vaidade e coloca responsabilidade. Eu administro
para servir, para que o negócio dê frutos para todos, não só para mim.

 

O QUE SENTE AO VER MUITOS EMPREGOS GERADOS?
Dignidade. Minha maior alegria ao abrir um mercado ou ampliar a fábrica não era o lucro, mas saber que tínhamos mais gente trabalhando. Saber que impactamos a vida de mais de 4 mil pessoas.

E A POLÍTICA?
É a forma mais ampla de cuidar das pessoas. Acredito profundamente no potencial do ser humano e vejo a política como a ferramenta mais capaz de transformar realidades. Sinto que posso ser um instrumento para melhorar a vida de quem mais precisa, buscando dignidade para o povo baiano.

POR QUE ACEITOU O DESAFIO POLÍTICO AGORA?
Porque senti a necessidade de levar minha experiência de vida para a vida pública. O pedido veio das ruas: as pessoas queriam alguém que soubesse gerir e que tivesse vencido pelo trabalho, não apenas um político tradicional. Sempre ajudei nos bastidores, mas aceitei esse desafio maior por acreditar que a gestão pública precisa de sensibilidade humana. Não sou um “político formado”, sou um cidadão atendendo a um pedido do povo.

QUAL O SEU PLANO PARA O FUTURO?
O trabalho não para. Na empresa, estamos planejando chegar a 60 mil frangos por dia e espero que as novas gerações levem a AviVip para outros estados. Na vida pública, quero levar essa experiência de gestão eficiente para a Bahia, destravando oportunidades para quem, assim como eu, só precisa de uma chance para trabalhar.