LUTA, O RECOMEÇO PÓS COVID
Não é exagero afirmar que a experiência de quem volta à vida após enfrentar o COVID-19 assemelha-se a um renascimento, um reencontro consigo mesmo com os próprios olhos, mas um novo olhar. Foi dessa forma, enxergando a si mesmos como seres humanos que encararam a morte de perto e receberam uma nova oportunidade de existir, que Luis Cláudio Oliveira (Careca) e Fernando Gomes, respiraram aliviados ao se sentirem novamente em casa. Ambos foram contaminados pelo coronavírus em 2020, mas as sequelas deixadas pela presença do vírus em seus corpos ainda impactam suas rotinas e formas de ver e se verem no mundo.

O VALOR DAS COISAS SIMPLES
“A coisa mais gostosa do mundo é apertar a mão de uma pessoa que você ama, de uma pessoa que você conhece. Eu implorava para o tempo não passar”, afirma Luis Cláudio sobre as visitas de seu sobrinho que é médico, único familiar com quem teve contato presencial enquanto esteve em tratamento na UTI – Unidade de Terapia Intensiva. Careca, como é conhecido o empresário e vice-prefeito de Santo Antônio de Jesus, sentiu os primeiros sintomas em 28 de novembro de 2020. A partir deste dia teve início uma jornada longa e difícil de luta pela vida. O que inicialmente parecia ser apenas um mal-estar, logo se transformou na doença que faria o homem ativo de 50 anos passar 24 dias na UTI, 14 deles entubado.
O corpo apanhava do vírus e Careca percebia o estado de vulnerabilidade em que se encontrava. “Mesmo recebendo oxigênio, eu sentia muita falta de ar. É como se fosse uma roleta russa. Ficamos ali, sozinhos, sem saber se vamos viver ou morrer. Quando eu estava acordado ficava pensando: quais são as minhas chances?”, relata Luis Cláudio. Ele afirma que houveram momentos muito difíceis, um deles, quando precisou tomar a decisão de ser entubado. “Eu estava indo, mas não sabia se voltava. Sabia que o risco de não voltar era muito grande, mas eu confiei no médico naquele momento. Ele segurou nas minhas mãos e disse: fique tranquilo que eu vou te trazer de volta. Isso me fortaleceu e deu confiança”, conta enquanto tenta conter a emoção.
E Luis Cláudio voltou. O processo de recuperação de um paciente que enfrenta a forma grave de manifestação da doença é lento e individual. O COVID-19 deixa sequelas graves. Hoje, 03 meses após a alta hospitalar, o vice-prefeito segue em reabilitação. Ele ainda encontra-se com 50% de comprometimento dos pulmões, batimentos cardíacos e glicemia descompensados.

O RETORNO À SUPERFÍCIE
Aos 71 anos, o médico e pastor Fernando Gomes renasceu. Após enfrentar uma longa jornada de, em média, três meses entre internamentos em UTI e clínica de reabilitação, Gomes sente-se salvo pela fé, pela ciência e pela sua vontade de viver. “Foi uma experiência bastante difícil, especialmente para mim que sou médico. Eu percebia detalhes dos acontecimentos e sofri bastante durante o tempo em que fiquei na UTI. A gente sente como se estivesse sendo afogado e essa situação era constante e desesperadora. A sensação era de que eu iria morrer”, relembra.
O pastor chegou a precisar de tratamentos mais invasivos como a traqueostomia. O seu corpo tinha deixado sinais de que a luta contra o COVID-19 havia sido intensa. Ao deixar a UTI, Gomes tinha 21 quilos a menos e não conseguia andar. Aos poucos, os esforços na clínica de reabilitação davam sinais da sua vitória. O vírus não venceu. Enquanto esteve internado, longe de sua família, Fernando Gomes não esteve sozinho. “Eu recorria a Deus que é certamente Aquele que eu creio que pode fazer todas as coisas”, afirma enquanto reconhece a dificuldade que sentia até mesmo para conectar a mente nas orações. “Era muito difícil”, completa e afirma que buscava sempre voltar os pensamentos Deus e em sua família para não perder as esperanças em sua recuperação.
Para Gomes, a volta para casa foi “um bálsamo”. “O sentimento é de uma oportunidade que Deus está me dando para fazer o melhor que posso. Agora, eu quero viver para agradar a Deus e a minha família. Fazer o que sempre tive vontade: ter uma vida de serviço a Deus e ajudar outras pessoas a ter esse mesmo entendimento”, conclui.
